quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

10/Jan. - Cueva de Las Manos

Após uma noite tensa em virtude dos acontecimentos e do local em que pernoitamos, pudemos conferir a luz do dia o muquinfo em que ficamos... é felizmente não tivemos aparições!!!

  
Ajudamos nossos amigos a se organizarem, inclusive fazendo questão de levar alguns equipamentos. Durante o almoço, o restante do grupo que havia pernoitado por mais um dia em El Chaltén nos encontrou se assustando com o estado em que o Jymni se encontrava, após um breve bate papo e como não restava mais nada a fazer a turma do Rally seguiu viagem.

Conforme nosso cronograma, seguiríamos o trajeto dês do início da Carretera Austral em Paso Roballo, como a turma do Rally não estava a fim de seguir por este caminho foram para Perito Moreno, embora ficasse um ar de apreensão por seguirmos sozinhos por este desolado percurso, estávamos confiantes de que não teríamos problemas, e a partir deste momento se separávamos de todos iniciando o restante da nossa aventura a sós.

Como não poderíamos mais ajudar o Nô e a Eli, nos despedimos e seguimos viagem, mesmo sendo tarde e já que estávamos perto fomos conhecer as fantásticas cavernas das Cuevas de Las Manos. Sem dúvida um lugar mágico e com histórias ao longo da linha do tempo, inclusive mantendo no final de seu vale uma duna de cinzas da ultima erupção vulcânica que ocorrerá a cerca de 20 anos no Chile.


  
O Parque Cuevas de Las Manos é composto de passeios com cerca de uma hora de duração, com equipamentos de proteção e guias experientes que relatam todas as informações até hoje descobertas pelos pesquisadores... chegamos na hora certa já que participamos do ultimo tour turístico do dia as cavernas.


     
Com o término do passeio, nos informamos com os guias com relação ao trajeto que iríamos realizar até o passo fronteiriço em Paso Robalo, eles nos informaram que o caminho existia embora fosse pouco utilizado, porem nos alertando que não poderíamos passar pela fronteira já que a mesma encerrava suas atividades às 20hs.


Eu e a Mírian conversamos e decidimos seguir para a fronteira, mesmo que esta estivesse fechada iríamos dormir no carro. O percurso foi longo, mas deslumbrante, à medida que avançávamos a Cordilheira se aproximava imponente e poderosa a nossa frente, mesmo sendo só o seu início já era fantástica! Porem à medida que avançávamos era visível que a região a nossa volta se tornava cada vês mais selvagem e a escuridão passava a tomar conta de tudo, como haviam vários animais soltos pela região só nos restava chegar até a fronteira para nos sentirmos seguros já que durante o trajeto não cruzamos com nem um carro.


     
Após horas de percurso com dezenas de coelhos cruzando o nosso caminho a todo o momento fazendo com que redobrássemos nossa atenção, chegamos finalmente por volta da meia noite à fronteira, estava tudo escuro e antes mesmo que parássemos o carro, algumas luzes se acenderam com alguns militares saindo da cabana, neste momento percebi que ficávamos sem freio, constatando logo em seguida um grande vazamento na roda dianteira do lado direito.

Fomos bem recepcionados e informados que a fronteira estava fechada, porem ao comunicarmos se poderíamos dormir dentro do carro, alguns militares fizeram questão que nós passássemos a noite em uma segunda cabana que não estava sendo utilizada, inclusive já levantando a cancela da fronteira nos convidando a acompanhá-los, nos mostraram o local, o banheiro, a cozinha inclusive informando que poderíamos utilizar a mesma e o esquema de iluminação do local, se despedindo logo em seguida nos deixando à vontade.


Rota do dia: (Argentina) Bajo Caracoles, Cueva de Las Manos, Fronteira Argentina... total rodado: 172km


09/Jan. - A temida Ruta 40

Como esperado, dormimos até cansarmos e já que ninguém iria nos acompanhar não estávamos nem um pouco preocupados quanto ao horário ou com nossos amigos, mas este dia só estava começando embora já fosse perto das 10hs da manhã.

Acordamos, levantamos acampamento, tomamos um bom banho e seguimos nosso caminho, como já era próximo do meio dia, paramos para saborear um delicioso lanche que embora não sabíamos, seria a nossa única refeição do dia.

  
Antes de sairmos de El Chaltén fomos verificar se nosso amigo Jymni se encontrava no hotel, como durante o lanche vimos o Claudio (Pajero) e o Ricardo (Troller azul) passarem, concluímos que eles não foram fazer o passeio de barco, porem ao chegarmos à pousada só encontramos o Troller do Valter supondo que haviam seguido para o passeio na montanha, assim seguimos viagem sozinhos para Bajo Caracoles.

  

Logo na saída nos deparamos com vários mochileiros pedindo carona, algo casual por estas bandas, mas como estávamos literalmente carregados, não oferecemos carona, porem ao continuarmos nos deparamos com um mochileiro que nos implorou carona a beira da estrada, embora ele tenha nos sensibilizado, não paramos, mas paramos logo em seguida para um segundo mochileiro Esteban Galvan, em sua primeira empreitada com 20 anos e morador de Buenos Aires, sendo nosso acompanhante por este duro trajeto.

  
Já tínhamos informações que a tal Ruta 40 não seria fácil, e aos poucos fomos descobrindo que tais informações eram muito mais reais do que imaginávamos, sendo um percurso longo, cansativo, quente e desolado...  más estávamos preparados pro que der e vier, como haviam nos orientados, embora o GPS demonstrasse não ser necessário, seguimos os conselhos do Ramalho e fomos para Gobernador Gregores por haver a ilusão de somente ser possível encontrar combustível lá... na boa nos ferramos literalmente! este percurso fez com que aumentássemos o nosso percurso em quase uma hora e meia, como entramos em Três Lagos mas não encontramos o posto que lá existia, e como nossos amigos frisaram bem que somente em Gobernador séria possível encontrar combustível e diante do fato da Argentina estar vivenciando a falta de combustível em algumas províncias, nem nos preocupamos, ou seja, simplesmente nos ferramos!

Mas o dia ainda só estava começando... seguindo os conselhos do Ramalho fomos para Gobernador, no caminho tivemos que esvaziar um dos nossos galões, algo normal e extremamente necessário já que não tínhamos conhecimentos do que a viagem nos preparará, desta vês a Míriam pode registrar o momento já que o Esteban nos ajudou, após muito rípio finalmente chegamos a Gobernador Gregores, pelo horário já sabíamos que somente a noite chegaríamos a Bajo Caracoles, porem não tínhamos o que fazer nos restando apenas seguir viagem na melhor velocidade que poderíamos realizar.

  














Bem se acham que somos loucos, ninguém imagina a quantidade de mochileiros que encontramos pelo caminho, estes sim são literalmente malucos em cruzarem uma rota longa e com chances muito baixas de conseguirem carona... pessoal valente e corajoso!!!

Quando finalmente chegamos ao asfalto, estava lá nos esperando novamente os fortes ventos patagônicos para literalmente segurar nossa velocidade a 60Km! este trecho foi de matar... já que no rípio estávamos andando muito mais, como não tinha o que fazer só nos restava a paciência para enfrentar o trajeto. Por incrível que pareça quando vencemos a marca do 60km/h, novamente nos deparamos com o rípio, porem com uma estrada muito ruim e cheia de costelas de vaca o que fez com que reduzíssemos a velocidade, aumentando ainda mais o trajeto. Um momento que não podemos deixar passar despercebido nesta desolação toda é que literalmente zeramos o velocímetro do Vermelhinho, porem a medida que avançávamos além da pista piorar e o sol se por, um caminhão encostou em nossa rabeira nos pressionando.
















Faltando alguns quilômetros até Bajo Caracoles, finalmente o tal caminhão nos podou. Ao chegarmos à cidade por volta da 23hs, após enfrentarmos muitas curvas fechadas nos deparamos com o Jymni parado a alguns metros do posto Policial que nos surpreendeu e fez ficar ainda com mais raiva do percurso sem necessidade até Gobernador Gregório, porem ao nos aproximarmos algo não estava certo... nossos amigos Nô e Eli haviam sofrido um acidente, felizmente não foi grave, porem como o Jymni capotou dando duas voltas, ali terminava sua expedição... não tiramos fotos do nosso parceiro de viagem por respeito e consideração, que ele seja lembrado em grande estilo!!!


Soubemos que estava tudo bem e logo um dos policiais nos encontrou na minúscula cidade de Caracoles, a Eli seguiu viagem de ambulância até Perito Moreno, retornando logo em seguida "só procedimento de rotina", nos despedimos do nosso amigo mochileiro, amparamos o Nô e fomos atrás de um lugar para todos dormir, encontramos apenas um modesto purgueiro, sem luz, com banheiros suspeitos, composto de beliches em um quarto que há qualquer momento poderíamos nos deparar com um enorme rato sobre nós! ainda bem que o tal rato não apareceu já que o dia havia sido duro com a dupla dos 80tinha.


Rota do dia: (Argentinha) El Chaltén, Três Lagos, Gobernador Gregores, Bajo Caracoles... total rodado: 471km


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

08/Jan. - El Chaltén

Olá amigos, após vários dias tumultuados finalmente podemos dar sequência aos nossos relatos de viagens...


    
Após chegarmos ao porto Punta Bandera no final da tarde anterior e descobrirmos que estávamos sem embreagem, o Christian ter passado mal pra burro tendo que parar por algumas vezes antes de chegarmos ao Glaciar Perito Moreno e na volta tendo que parar novamente pra ele chamar o juca, estávamos de carona no Jimny do Nô, de por mais uma vês termos sidos cambados pelo nosso amigo Valter (Troller amarelo) com a Mirian guiando a noite já que o Christian estava fora de combate, de termos atropelado e esmagado um coelhão sendo que momentos antes a Mirian havia comentado pelo rádio que caso um coelho cruzasse o caminho, não teríamos como evitar um atropelamento, de conseguirmos pegar o mecânico aberto as 22:45hs de sexta! e termos passado nossa ultima noite na fantástica Hostería Rukahué, amanhecíamos no 22.ºdia de nossa expedição.

  
O Christian ainda estava meio pálido, mas pronto para saber se seria possível realizar o concerto da embreagem antes do meio dia, porem nossos amigos da Mil Autdoor Adventure com seu mecânico especialista em Land Rover, não só haviam comprado o repuesto como também providenciado o concerto, mesmo não trabalhando de sábado, ele fez questão de nos ajudar.

Antes de sairmos de El Calafate tivemos que apertar os parafusos da tranca do porta malas já que estavam completamente soltas em virtude do Ripio, após uma triste despedida da hostería por termos conquistado uma grande amizade com a proprietária e sua família... não nego que ficou um aperto no coração, seguimos viagem!

Como todos já haviam partido, seguimos nosso caminho com as lembranças dos últimos acontecimentos, o percurso não era muito longo, porem como novamente pegamos os fortes ventos patagônicos de frente, foi um parto vencermos a reta até El Chaltén, a cada minuto que nos aproximávamos uma linda paisagem se empunhava a nossa frente... sim era o imponente monte Fitz Roy.

  
  
El Chaltén pode ser comparado a São Tomé da Letras, MG pela grande quantidade de bicho grilo, montanhistas, aventureiros, viajantes, mochileiros... era gente subindo e descendo montanha o dia inteiro, encontramos o grupo rapidamente pelo fato da cidade ser bem pequena, porem nos separamos e decidimos ficar no camping El Relincho a beira de um rio, como não estávamos nos sentido muito bem decidimos que no dia seguinte iríamos seguir viagem já que não estávamos querendo fazer outro passeio de barco ou subir montanha.

  
Aos pés do monte Fitz Roy, jantamos no Bar & Music – Ayres Patagónicos nos encontrando mais tarde com o grupo em uma pizzaria, o detalhe da noite é que o Fantástico (GLOBO) estava na mesma pizzaria entrevistando a família do brasileiro que dias anteriores perderá a vida após um acidente ao escalar o monte Fitz Roy... comunicamos o grupo sobre nossa decisão inclusive de que não teríamos pressa para sairmos no dia seguinte já que queríamos aproveitar uma bela noite de sono.